Resenha #79 Spotlight (Segredos Revelados) - The Boston Globe




Editora: Vestígio
Autor: Equipe do The Boston Globe
Gênero: Jornalístico/História
Páginas: 284
Ano: 2016
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[Nota Pessoal] 

Quando vi que a editora disponibilizou este livro para resenha, não pensei duas vezes e pedi. Não era algo que eu aguardava ansiosamente, mas, a curiosidade me fez solicita-lo, principalmente depois da adaptação ganhar o Oscar de melhor filme.
Spotlight é um livro jornalístico. Não costumava me interessar por livros assim, mas, resolvi dar uma chance e me encontrei completamente imersa na leitura. 
A equipe jornalística Spotlight fez uma investigação que levou a descoberta de centenas de casos de pedofilia entre os padres da igreja católica.
Antes de entrar em detalhes, quero dizer que não estou aqui pra julgar religião, e sim falarmos de fatos e crimes cometidos pelos seres humanos, que na minha opinião não tem nada a ver com o lado religioso, pois sujeitos mal intencionados existe em todos os lugares e todas religiões. Lembrando que não podemos julgar outros milhares de padres de boa índole por causa destes.
Em 2002 o jornal The Boston Globe obrigou a igreja católica a prestar contas dos crimes de seus padres, revelando em reportagens bombásticas que centenas de crianças haviam sido molestadas com o consentimento das autoridades religiosas.
Assim que as primeiras vítimas decidiram abrir sua história e denunciarmos os abusos do passado, outras vítimas tiveram coragem de romper o silêncio.
Começamos  o livro conhecendo um pouco mais dos padres que cometeram os crimes. Nos inteiramos de suas histórias e de seus atos terríveis que eram encobertos por anos. Um dos casos com mais destaque é o do Padre Geoghan, que abusou de cerca de 200 crianças durante décadas.
Lembro- me que quando estourou o caso, muitos se perguntaram o porque dos padres pedófilos, em sua maioria, abusavam de garotos? Eu não tenho essa resposta, mas, Geoghan chegou a justificar em uma declaração...

"O padre Geoghan disse que, depois da ordenação, reprimida seu desejo pela companhia de mulheres, por recear o conflito com seu desejo pelo celibato." 

O que acontecia com Geoghan quando era descoberto mais um abuso, assim como centenas de padres pedófilos pelo mundo, eles eram apenas afastando de suas igrejas e mandadas para outras após um acordo entre as vítimas e advogados. E assim podiam cometer seus crimes novamente. Nenhuma das denúncias chegavam a ser levadas a diante pois eram abafadas com uma quantia alta de dinheiro para as família das vítimas, pagas pela arquidiocese.
Muitas das vítimas se afastaram de sua religião, desacreditarem de sua fé após os acontecimentos. 

"Quando todo o resto dava errado, eu me voltava para a igreja. E agora, o que eu faço?"
(Frank Doherty, pai tima de abuso de Padre Talbot




"Um homem que se disfarça com o manto de Deus pata se inserir no seio de uma família - que passa a comhece-lo, ama-lo e confiar nele -, com o objetivo de molestar seus filhos, é a encarnação do mal."
(Raymond Sinibaldi, vítima de abuso do Padre Tourigney)

Algumas das vítimas não reagiam, simplesmente por que viam na figura do padre, algo santo, em que se pudesse confiar, e ficavam confusos demais com o que acontecia, culpando-se ao invés de culpar o agressor.

"E então isso começa a ser feito com você, e seu corpo reage de um jeito enquanto sua mente reage de outro... A essa altura você não entende mais o que está acontecendo com seu corpo e com sua vida. Você sabe que se sente atraído por mulheres, mas está sofrendo uma coisa como essa... tem alguém dizendo que deseja o seu corpo, mas não é uma mulher. E seu corpo reage fisicamente."
(Andrew Menchaca, vítima de abuso de Padre Trupia)

"Eu estava naquela idade pre adolescente em que a gente sabe a diferença entre o certo e o errado, mas como foi um padre que fez aquilo, criou um monte de confusão na minha cabeça."
(Patrick McSorley, vítima de abuso de Padre Geoghan)

Eu imagino como quantas famílias foram destruídas e destinos dilacerados em resultado dos abusos encobertos. Não culpo somente a arquidiocese. Eles sabiam de todos os abusos e nada fizeram por muito tempo. Esqueciam-se de amparar as vítimas, tratado-os com frieza e passavam a mão nas cabeças dos padres.

"O que eles tentavam proteger era a noção de que a Igreja é uma sociedade perfeita" esclareceu o padre. "Se a arquidiocese realmente quisesse proteger seus outros padres do escândalo, deveria ter se livrado muito antes daqueles,  dentre nós, que abusavam de crianças."



Como disse, não são os únicos culpados.  Os advogados das vítimas também ficaram calados diante de acordos em que recebiam um bom dinheiro. Aliás, um deles era o advogado de várias vítimas e as convencia de se calar diante do acordo. Como esse advogado deixava que isso continuasse acontecendo a outras vitimas, quando se calava para receber mais alguma grana? A próxima poderia ser um de seus filhos!
E eles sempre conseguiam convencer as vítimas de aceitar o acordo. Elas estavam apavoradas demais, com medo de serem rejeitadas na comunidades, ficarem faladas e também precisando do dinheiro, acabavam cedendo. E era um erro. 
Aliás, havia pontos semelhantes entre as vítimas. Os padres escolhiam sempre em sua maioria, mães solteiras, que moravam em bairros pobres, e necessitando de ajuda. Dessa maneira conseguiam entrar em seus lares e cumprir o papel de um pai.
A maioria das crianças abusadas nunca superaram, nutriam ódio, mas, uma delas conseguiu perdoar seu agressor...

"'Tendo dito isto, eu chego à verdadeira razão que me trouxe até aqui. A verdadeira razão da minha visita é lhe pedir que me perdoe pelo ódio e ressentimento que senti por você ao longo doa últimos 25 anos." Quando eu disse isso, ele se levantou e, no que eu descreveria como uma voz demoníaca, disse: 'Porque você está me pedindo para perdoar você? '. E entre lágrimas eu respondi: 'Porque na bíblia me diz para amar meus inimigos e rezar por aqueles que me perseguem."
(Tom Blanchette, vítima de abuso do Padre Birmingham)

É uma obra muito boa, informativa e que abre nossos olhos para a maldade do ser humano. O que devemos fazer é não nos calarmos diante de um abuso. Esses homens  deixaram feridas abertas na vida dessas pessoas, tão grandes, que talvez algumas delas jamais cicatrizem.
Não podemos nos calar diante disso!

"Eu acho que manter silêncio é um pecado", disse Virginia Doherty. "A cura nunca será possível se todos ficarem em silêncio."

Se você sofre algum tipo de abuso e está lendo isso, não se cale. Procure ajuda, alguém próximo que te ouça e denuncie! Liberte seu silêncio e se liberte dessa situação. E, se você desconfia de alguém que está cometendo abuso ou sendo abusado, pergunte, ofereça seu apoio. Às vezes, a pessoa só precisa de alguém capaz de ouvir seu grito silencioso.
Para você leitor que quer saber o resto dessas informações e o que aconteceu a esses padres finalmente denunciados e a história impactante de suas vítimas, não deixe de conferir Spotligth.




1 comentários:

  1. Não li o livro, mas vi o filme no cinema, e é um tema bastante delicado, repugnante, mas que precisa ser exposto, para que essas vítimas encontrem justiça, e para que se evite que novas vítimas existam.

    Ótima resenha!

    Beijos.
    www.serleitora.com.br

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